
Na
última quarta-feira, dia 13, os estudantes da UNCISAL foram às ruas para
lutar por uma série de reivindicações. Entre as principais estavam a
necessidade imediata do pagamento das Bolsas Permanências, a continuidade das
obras do Restaurante Universitário, a existência de um plano para a construção
da Residência e Creche Universitária e uma solução efetiva para o problema da
Segurança nos arredores da UNCISAL. Mas afinal, qual seria uma proposta efetiva
para solucionar esses problemas? Nesse artigo, o DCE pretende discutir com a
comunidade acadêmica a origem da problemática e ser propositivo.
O
que está por trás de nossos problemas?
O
país está em crise. Talvez essa seja a frase que mais ouvimos no dia-a-dia, ao
discutir neste momento sobre os rumos da política nacional. Mas, certamente de
que, apesar de depositarmos as nossas esperanças em uma mudança radical no
governo federal, pouco paramos para pensar na repercussão da crise. De certa
forma, percebemos apenas que as contas vêm encarecendo, a gasolina vem
aumentando e o reajuste salarial de nossos pais vem caindo (ou qualquer outro
“paitrocinador”).
Na
verdade, a crise é muito mais profunda e atinge dois campos fundamentais para os
estudantes da UNCISAL: a educação e a saúde. Para se ter uma ideia, em 2015
foram restringidos cerca de 10,5 bilhões de reais e em 2016 mais 4,2 bilhões da
educação. A saúde, só esse ano sofreu um corte de 2,28 bilhões. A repercussão
foi rápida: houve o cancelamento de novas vagas do projeto Ciências Sem
Fronteiras e encerramento de projetos como o Jovem Doutor e PET-SAÚDE e nos
hospitais, a falta de medicações básicas e outros subsídios.
Recentemente,
fomos surpreendidos com um corte de R$ 26.000 no repasse estadual (que já era
pequeno) para nossa universidade. Com menos dinheiro, é óbvio que os setores
mais afetados são a Assistência Estudantil e a Extensão Universitária. Se já
era difícil conseguir algum auxílio de custo para congresso, é provável que
esse ano deva se tornar ainda mais difícil.
A
verdade é que, em um momento de crise, os governos tendem a cortar gastos com
as áreas sociais para não “quebrar”. Mas o nosso governador poderia fazer
diferente. Uma das saídas apontadas para melhorar o faturamento do estado
seria, em um momento como esse, aumentar os impostos dos “donos do estado”, os
famigerados usineiros, e este aqui está longe de fazê-lo.
A longa história do RU, das Bolsas e da Necessidade de um Plano Estadual de Assistência Estudantil
Hoje,
as pautas que mobilizam os estudantes podem ser citadas, mas são exigências
antigas do movimento que ganham força em momentos onde as mazelas que afetam
nossa vida estão mais em evidência.
Vejamos
o RU. Embora fosse uma exigência permanente dos estudantes, em 2008, durante a
Ocupação de Reitoria, essa necessidade foi de fato evidenciada. Em 2012, ganhou
corpo com a greve, tendo iniciado as obras em 2014. De lá para cá, 2 anos se
passaram e a obra continua longe de ser terminada. Já as bolsas permanências
foram de fato conseguidas a partir da mobilização dos estudantes em 2012, e
nesses anos todos nunca tiveram um orçamento fixo por parte do governo
estadual. Quanto à residência e creche, tais pautas nunca foram realmente
levadas a sério pela reitoria que há tempos abandonou o projeto.
Nós
consideramos que a grande chave para que todos os projetos de Assistência
Estudantil da nossa universidade sejam limitados é a ausência de qualquer plano
estadual de assistência estudantil, algo que, convenhamos, nem passa pela
cabeça do governador. O que precisamos de fato é que seja aprovado na
Assembleia Legislativa um traçado que destine um percentual das verbas do
estado. Para aqueles que desconhecem, o governo federal junto ao MEC possui um
Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), mas que é limitado as
federais. Obviamente os recursos aqui são mais extensos, mas o que não
justifica a ausência de um plano em nossas instâncias.
Queremos
abrir um debate: nossa pro-reitoria devia ser a ponta de lança na criação do
projeto, talvez em parceria com a própria UNEAL, para que pudéssemos avançar
finalmente nas questões mais importantes que tangem as necessidades para que o
estudante continue na universidade.
É
bem verdade que o país está em crise, e deixamos isso claro em um primeiro
momento para rever um fato: quando a educação será prioridade? Será que não
está na hora de exigirmos, dentro dessa grande crise política, que o povo (no
caso nós) quer resposta para as suas problemáticas? Talvez agora, na crise,
seja a melhor hora de agir.
0 comentários:
Postar um comentário